Riscos de usar chupeta

chupeta

O item, popular no Brasil, oferece mais malefícios que benefícios à saúde da criança

A chupeta é um item considerado para algumas mamães como indispensável e para outras um pesadelo. Famosa por acalmar o bebê já nos primeiros dias de vida e vilã para inúmeros outros motivos que podem prejudicar o desenvolvimento da criança, a chupeta oferece mais malefícios do que benefícios.

No Brasil, é comum e cultural a indicação do uso deste artigo entre as famílias e, devido ao seu valor acessível, não é raro vermos diversas marcas e modelos à disposição nas lojas sem qualquer fiscalização e ou recomendação adequada.

Antes de falar sobre os benefícios ou problemas que a chupeta pode ocasionar para as crianças, é interessante dizer que o bebê, ainda dentro do ventre da mãe, já pratica a sucção como reflexo de sobrevivência, possível de ser visto nas ultrassonografias quando estão com os dedinhos dentro da boca.

Para os leigos, isso pode caracterizar como um ato fofo e bonitinho do bebê, mas vai muito além disso. A sucção é uma necessidade fisiológica natural do ser humano e o fazemos para sobrevier (aleitamento materno) e, quando bebês, para a liberação de endorfina – hormônio responsável pela sensação de prazer e bem-estar, segurança afetiva, regulador da dor, humor, ansiedade e estresse.

Após esclarecer sobre a sucção, prática recorrente do bebê que usa a chupeta como auxiliador para se acalmar e ou dormir, vamos ao passo dois – falar sobre os benefícios e malefícios que este objeto provoca:

Benefícios:

Não existem benefícios cientificamente comprovados para o uso da chupeta. Alguns estudos abordam o uso da chupeta no combate da síndrome da morte súbita do lactante, um fenômeno que acontece durante o sono dos bebês sem diagnóstico médico. Mas não há indícios fortes que possam ser considerados como importantes para a indicação do uso de chupetas em bebês na hora de dormir.

Malefícios:

São muitos os motivos para não aderir a chupeta, do ponto de vista de saúde e bem-estar da criança. O seu uso promove diversos problemas que vão desde o desenvolvimento psíquico (dependência) como, também, prejudica a amamentação (a criança pode recusar o peito e ou diminuir consideravelmente as mamadas), altera o desenvolvimento ósseo da mandíbula, promove problemas ortodônticos e coloca a saúde em risco à bactérias e vírus alojados na superfície e parte interna do látex ou borracha do produto, sem falar no perigo dos assessórios como brilhos, pérolas, bigodes e outros itens que são chamariz para que os pais comprem para bebês.

Importante – sucção da chupeta não ajuda na amamentação

Vale dizer, também, que a sucção da chupeta em nada se assemelha com a sucção da amamentação no seio materno. O afeto é construído neste momento, quando há contato direto da mãe para com o filho (a), e, ainda durante a amamentação, além de receber nutrientes, vitaminas e o alimento para a vida, a criança respira de maneira adequada, os ossos da face, mandíbula e músculos da mastigação se desenvolvem dentro do padrão esperado e não há riscos de infecções por contato com objetos contaminados.

Como fazer a criança desapegar da chupeta:

Tão difícil como corrigir uma birra infantil, retirar o habito da chupeta é algo que deve ser feito com calma e com cuidado para evitar traumas na criança. Lembre-se que tudo começou com a necessidade de acalentar e tornar a vida do bebê menos estressante – esse é o maior motivo que os pais aderem ao uso de chupetas – e, pelo mesmo motivo, deve-se agir com carinho preparando a criança para o definitivo “tchau” ao objeto.

Para isso não existe fórmula mágica ou exemplos que podem e devem ser seguidos. Cada mãe e pai deve desenvolver uma técnica particular de como retirar a chupeta do convívio da criança. Como dica, sempre que a criança pegar a chupeta converse com ela e a distraia para outra atividade, como a leitura de um livro, uma brincadeira ou mesmo um abraço carinhoso. Aos poucos, sem que ela perceba, o hábito da chupeta será esquecido. O mesmo processo vale para o uso de mamadeiras e acessórios de transição. Chame a atenção para outros itens que despertem autonomia e bem-estar para a criança.

Dra. Gabriela Barboza Cunha
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Contribuição textual: jornalista Carina Gonçalves – MTB: 48326
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