Os primeiros “mil dias” da criança


É nos primeiros meses de vida da criança que acontecem as maiores e mais importantes transformações físicas e emocionais

Os primeiros mil dias da criança é um termo médico utilizado para representar o período que vai da concepção até o final do segundo ano de vida da criança. A conta é feita a partir da gestação que, em geral, tem duração de 270 dias correntes, e, soma-se aos dois anos de vida pós nascimento da criança (730 dias correntes), que juntos, contabilizam os 1000 dias.

Dentro deste período, é super importante que os pais evitem oferecer alimentação industrializada, doces e refrigerantes para evitar problemas de saúde no futuro.

Ainda na gestação:

Os mil dias começam na concepção, antes mesmo da mulher saber que está grávida. E, se faz necessário que ela adote alimentação balanceada e faça acompanhamento mensal com a ginecologista para a realização do pré-natal e exames longo das semanas gestacionais. O parto natural ainda é o mais recomendado, pois o bebê estará “maduro” e pronto para chegar ao mundo – mas cada caso é um caso e por tal é necessário o aval médico. Após o parto, a mamãe deve manter a alimentação balanceada, pois a criança receberá todos os nutrientes necessários a partir do leite materno, exclusivo até os seis meses de vida do bebê, podendo ser prolongado até os dois anos ou mais.

Nos bebês de 0 meses até 12 meses:

Ainda no ventre, o bebê inicia o processo de vínculo com os pais e por isso é importante a comunicação intrauterina. após o nascimento, as transformações são constantes, que incluem a fase de cólica, choro e até problemas de saúde comuns a cada fase.

No primeiro mês, o bebê apresenta reflexos involuntários de seu corpo, pois ainda não possui domínio sobre ele. Chega a mamar cerca de 10 a 15 vezes ao dia, por curtos períodos e dorme entre 18 a 22 horas, intercalando com as mamadas. ainda não possui visão nítida, mas consegue ouvir muito bem os sons e vozes a sua volta. Com cerca de 20 dias, inicia o processo de emissão de sons em resposta aos estímulos e pode virar a cabecinha em busca dos sons que ouve.

Até o terceiro mês começa a demonstrar expressões como sorrisos e olhares afetuosos.  Quando coloca em pé, parece querer andar, mas são reflexos involuntário que caracterizam a marcha. Nesta fase o sono também muda e a criança fica mais tempo acordada.

Entre o quarto e sexto mês já apresenta reflexos mais aprimorados – corporais e neurológicos. Utilize brinquedos apropriados nesta fase para estimulá-los de maneira adequada.

Dentre o sétimo e décimo mês as mudanças são significativamente perceptíveis. As crianças apresentam domínio nos movimentos da face – olhos, boca e mãos trabalham com melhor coordenação motora. Também, já nascem os primeiros dentinhos e, em alguns casos, provocam dor e febre. Os alimentos podem ser mais sólidos e com mais sabores (fale com a pediatra sobre as melhores opções). Use roupas e calçados apropriados para que a criança se desenvolva e explore seu ambiente de maneira segura.

Entre dez e doze meses os bebês estão no auge das descobertas e já balbuciam algumas palavras, se expressam com gestos e podem até andar e quase correr pela casa. A alimentação pode ser adaptada com os demais adultos da casa, evitando frituras e Fast Food. O primeiro ano do bebê é mágico.

O primeiro ano da criança é o aniversário dos papais e das mamães também, que se adaptaram e aprenderam a lidar com uma rotina nova, mesmo que já tenham um ou mais filhos.

Segundo ano do bebê:

Esta fase também é conhecida como a adolescência da primeira infância e teste emocional dos pais, pois as crianças começam a descobrir o mundo e buscar mais independência. É necessário o acompanhamento da pediatra para orientação sobre alimentação, medicação e vacinas.

Entre 13 a 16 meses os bebês começam novos passos mais ousados e as crianças podem cair e até ganhar novos machucados. Alguns, ainda engatinham e não podemos comparar a evolução com outras.

Dica: estimule as crianças a brincar, conversar e guardar os brinquedos para criar padrões. Nesta idade, conseguem perceber parentes e pessoas do ciclo de convivência e separá-las da personagem da mamãe. Para trabalhar o auto reconhecimento, pode-se colocar a criança na frente do espelho, algumas conseguem se identificar de primeira e outras levam mais tempo.

Entre 17 a 20 meses  os bebês se percebem como indivíduos, sem deixar os laços fortes com as pessoas que cuidam deles, especialmente a mamãe e, choram quando percebem que ela não está por perto. Também, já sabem identificar diferentes partes do corpo. Muitos bebês apresentam episódios de birra, naturais da idade.


Entre 21 a 23 meses as crianças ainda não conseguem ter “maturidade” intelectual e seguem na busca de desbravar o mundo. Possuem o vocabulário restrito e criam frases sem sentido. A comunicação pode ser realizada por meio de gestos e palavras – sem formação de frases completas. Nesta fase, narrar o que está fazendo para a criança ajudará no processo de entendimento , assim como os pais já podem impor limites e ensinar o que pode ou não ser feito. Ainda, é uma fase ótima para iniciar o desfralde.

24 meses ou 2 anos da criança – final do ciclo dos mil dias de vida:

Ao completar dois aninhos, o bebê já possui traços de personalidade e consegue demonstrar suas preferências e habilidades. Dance e cante com a criança para estimulá-la em diferentes aprendizados. Neste período, também, tendem a buscar autoafirmação e é natural promoverem momentos de birra. Os dois anos de vida também são conhecidos como “adolescência do bebê”, quando ele o comportamento pode mudar repentinamente diante dos ensinamentos dos pais. É uma fase, vai passar e os pais devem administrá-la com afeto, carinho e muita calma.

De maneira geral, sabemos que o desafio imposto ao criar as crianças é muito particular e único para cada pai e mãe. O que vale lembrar, principalmente, é ter “leveza” e vivenciar cada momento como único, pois a infância passa muito rápido e a cada mês que chega, novas descobertas e alegrias virão junto! Estou aqui para ajudar como pediatra e pneumologista!

Dra. Gabriela Barboza Cunha
Médica – CRM SP 91435

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Diarreia

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Típica nos períodos mais quentes, os pais devem ficar atentos com a desidratação que acontece com a perda de líquidos e sais minerais nas evacuações continuas


Quem é mãe sabe que não existe tabu para nenhum assunto que se refere aos filhos, muito menos falar de cocô. No calor, os cuidados devem ser redobrados sobre a alimentação e higiene das crianças, especialmente porque é a época em que ocorrem muitos casos de diarreia, algumas agudas e outras consideradas crônicas. Vou explicar o que significa cada uma delas, mas antes, vale lembrar que o organismo (de adultos e crianças) geralmente “usa” a diarreia como solução para expulsar algum vírus e ou bactéria que tenta se alojar no nosso corpo, o que muda é a evolução que se dá no quadro clínico de cada paciente. 

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Diarreia

Chamamos de diarreia quando as fezes perdem a consistência e o número de evacuações aumenta, provocando mal-estar e, principalmente, desidratação (perda de líquido e sais minerais) com quadros moderados a graves em pouco tempo, devendo à criança receber atenção e atendimento médico imediato. Tem duração menor ou igual a 14 dias e corresponde a cerca de 16% dos atendimentos nas emergências pediátricas e 9% nas internações de crianças menores de 5 anos. Cerca de 74% dos diagnósticos são por vírus, 20% por bactérias e 6% por parasitas. Em geral, a diarreia é benigna e pode estar associada a vários fatores que desencadeiam uma crise como, por exemplo, alimentos e água contaminados, falta de higiene nas mãos, brinquedos e utensílios compartilhados ou no contato entre as pessoas.


Diarreia crônica:

Com sintomas similares ao da diarreia aguda, a versão crônica persiste por até três ou quatro semanas ou se apresenta com surtos recorrentes e pode ser o indicio da síndrome do intestino irritado e outras enfermidades como a doença de Crohn e colites ulcerosas.


Causas:
Em geral, as diarreias são provenientes de causas infecciosas e podem ser classificadas como:

  •   Virais – Rotavirus, Adenovirus, Astrovirus, Calicivirus, Norwalk vírus);
  •   Bacterianas – E. coli, principalmente enteropatogênica clássica (EPEC), Salmonella sp, Shiguella sp, Yersinia sp, Clostridium difficile, Aeromonas, Vibrio cholerae, Campylobacter  jejuni;
  •   Protozoários – Giardia lambia, Entamoeba histolytica, Criptosporidium.
  •   Causadas por medicações – antibióticos, laxativos.
  •   Causas alérgicas – alergia à proteína do leite de vaca e/ou soja.
  •   Causas funcionais – síndrome do cólon irritável.
  •   Causas inflamatórias – doença de Crohn, ou colite ulcerativa.
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 Sintomas: 

Além das fezes moles, pode ocorrer vômitos, febre, tenesmo (espasmos dolorosos seguidos de vontade de evacuar mesmo quantidade mínima de fezes), dores e ou distensão abdominal, tosse, coriza, anorexia (falta de apetite) e falta de controle durante o sono e após a alimentação.

Desidratação – considerada como um dos mais perigosos sintomas e resultados da diarreia, a desidratação requer atendimento rápido para evitar até possível óbito. Os sintomas são: boca e língua secas (pouca saliva), choro seco (ausência de lágrimas), pele enrugada com aspecto opaco e sem vida (medido na região do umbigo), alteração na respiração que pode ficar mais acelerada e curtinha no qual indica a necessidade de atendimento médico presencial.

Desnutrição – acontece o distúrbio hidroeletrolítico, acidose metabólica, choque e insuficiência renal aguda. O diagnóstico é feito com base na anamnese e no exame físico. A maioria das crianças não precisam de exames, mas realizados em casos peculiares com rápida evolução e comprometimento do estado geral da criança, assim como surtos em berçários, creches e escolas.


O que fazer:

Se possível, fale com o pediatra da criança (por telefone, mensagens e ou e-mails) antes de ir ao pronto socorro e explique o estado geral em que se encontra. Não é indicado o uso de remédios como tratamento. Como mencionei no início deste texto, a diarreia é benigna, ou seja, trata-se de uma defesa do organismo contra possíveis bactérias e doenças. O ideal é repor a quantidade de água e sais minerais de acordo com a perda da criança. Por exemplo, se evacuou duas vezes, pode oferecer água, água de coco ou suco (dê preferência aos naturais) para repor a hidratação, na sequência.  Para casos de vômitos, dificilmente a criança conseguirá manter o liquido ingerido, neste caso, é indicado leva-la em consulta com o pediatra para uma avaliação presencial e recomendações que ajudem na recuperação. Em geral, o acompanhamento se dá no ambulatório em período comum para a reidratação da criança.  

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Dicas finais:

Nos períodos mais quentes (primavera e verão) os alimentos se deterioram com mais facilidade, as crianças brincam mais nas piscinas e nos parques, sem contar que muitos de nós cedemos a tentação de tomar um sorvete sem saber a procedência e sem nos atentarmos sobre a condição em que o produto foi conservado (armazenagem em gelo feito com água contaminada). Mas também, não adianta ficarmos neuróticos, pois as causas da diarreia podem ser variadas e não como ter certeza de qual a sua origem.

O ideal é manter alimentação saudável e dar preferência para o consumo de maçã sem casca e banana nanica, pão puro, arroz normal, batata cozida (não purê). Nos dias mais quentes atentar-se a hidratação e reposição de líquidos perdidos no suor por exemplo.  Também, higienizar brinquedos e utensílios compartilhados, além de ensinar as crianças a lavar as mãos com mais frequência e ou os pais o fazerem naquelas que ainda não conseguem sozinhas. A cada perda de líquidos, com recomendação da pediatra, pode-se indicar a ingestão de soro caseiro para reidratar a criança.

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Dra. Gabriela Barboza Cunha
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Doenças Gastrointestinais

As doenças gastrointestinais podem acontecer a qualquer momento e com crianças e adultos de diferentes idades. Os motivos são inúmeros e podem ser por falta de higiene adequada das mãos que manipula o alimento ou a bebida, falta de higiene na preparação, assim como, também, é comum que os alimentos tenham menor tempo de “vida” útil nos dias mais quentes e podem provocar intoxicação e até alergias em quem os ingere. Além disso, há risco de contrair hepatite A por meio de ingestão de água e alimentos contaminados.

Para evitar problemas como diarreia e vômito é importante lavar sempre as mãos (com água e sabão), lavar brinquedos e utensílios assim que as crianças brincarem, evitar locais com aparência suja ou sem manutenção de limpeza e nunca permitir a troca de mamadeiras, chupetas e alimentos entre elas.  

Entre as principais doenças do trato digestivo estão infecções intestinais, geralmente causadas por alimentos contaminados ou que provocam alergias e síndrome do intestino irritável (colite nervosa ou doença funcional do intestino).  A salmonela é uma das principais causas de infecção e está presente em alimentos como maionese, ovo, frango e peixe, causando vomito e diarreia aguda.

Outra doença comum é a dispepsia, caracterizada com a dificuldade de digestão, mal-estar, dores no abdômen e sensação de saciedade precoce, seguida de sensação de enfartamento.

A azia também é comum em crianças, ainda mais quando se ingere muito refrigerantes, gorduras, industrializados e alimentos ou bebidas com má conservação.

Como dica, é importante comprar os produtos (bebidas e comidas) de locais que garantam o mínimo de higiene e procedência dos mesmos, além de higienizá-los adequadamente com água potável e preparo correto, sobretudo saladas, frutas e alimentos crus. 

Se a criança apresentar sintomas de doenças gastrointestinais, procure ajuda médica para diagnosticar os motivos e indicar o melhor tratamento para melhorar a saúde.

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